Castelo de Chambord: história, curiosidades e fotos desta parada obrigatória do Vale do Loire

Castelo de Chambord: história, curiosidades e fotos desta parada obrigatória do Vale do Loire

30/07/2019 0 Por Julia Dantas
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Alguns dias antes de visitar o Castelo de Chambord, estive no Palácio de Versalhes e comentei com meu marido que ali eu tinha alcançado minha cota de castelos. Afinal, o que superaria um palácio construído para atender às mais requintadas ambições do rei sol? Uma semana depois, lá estava eu “pagando a língua” no Castelo de Chambord, patrimônio mundial da humanidade (UNESCO) e estrela maior do Vale do Loire.

Na verdade, o fato de estar em uma propriedade florestal afastada de Paris faz com que a visita ao Castelo de Chambord seja muito mais exploratória. O domínio de Chambord está a 180km da capital, o que pede uma organização maior do viajante que queira visitá-lo. Isso se traduz em filas bem menores e mais conforto para circular pelos espaços do castelo se comparado ao Chatêau de Versailles.

Entrada do Castelo de Chambord, no Vale do Loire
Tirei essa foto em frente à entrada do Castelo (dá pra ver quem são os brasileiros da foto, né?). Como pode se ver, estava um dia de movimento tranquilo mesmo para um sábado de verão.

Outro destaque do castelo é a sua importância dentro do cenário do Renascentismo na França. Devido à influência de Leonardo da Vinci, muitos consideram que Chambord está para a arquitetura como La Gioconda está para a pintura.

Não é à toa que a data de construção do castelo foi escolhida como o início do Renascimento na França, que completa 500 anos em 2019. Coincidentemente, Da Vinci faleceu no mesmo ano. Para celebrar a data, inúmeras atividades estão programadas para celebrar a arte e a cultura no Castelo, o que torna o momento propício para uma visita.

Neste artigo você confere a história do castelo de Chambord, algumas curiosidades, fotos do interior e a influência do renascentismo na arquitetura do castelo.

Breve história do Castelo de Chambord

Jardim do Castelo de Chambord, no Vale do Loire

A construção do Castelo de Chambord teve início em 1519 durante o reinado de Francisco I. O monarca era muito próximo de Leonardo da Vinci, que morou no Vale do Loire até falecer no Castelo de Chenonceau.

Apaixonado por arquitetura, Francisco I construiu outros castelos durante seu reinado. Porém, foi no projeto de Chambord que ele pôde implementar os ideais estéticos, espirituais e simbólicos do Renascimento.

Apesar de ser o grande responsável pela concepção do Castelo de Chambord, Francisco I não chegou a vê-lo pronto. Ele morreria 28 anos depois do início da construção, que teve de ser paralisada em vários momentos devido a guerras e até sequestros familiares. Sendo assim, Francisco I só se hospedou em Chambord por poucas semanas durante sua vida.

Foi Luís XIV quem finalizou a construção do castelo segundo o projeto de Francisco I, 163 anos depois. Antes da construção do Palácio de Versalhes, este era um dos lugares preferidos do rei sol.

Depois de Luís XIV, o castelo deixou de ser habitado pela monarquia francesa. Entre seus principais moradores estão um ex-rei da Polônia e um Marechal condecorado. O castelo esteve sob a tutela de herdeiros de Luís XIV até ser adquirido pelo Estado francês em 1930.

Quarto onde dormia o rei Francisco I

Curiosidades do Castelo de Chambord

Local para caça

Devido à sua localização e à fauna diversificada, o castelo serviu como base para as temporadas de caça do rei e sua corte. E o castelo realmente tem um estilo de construção mais rústico.

Ao entrar, logo se sente o cheiro de madeira impregnado pelos cômodos do castelo. Também é possível notar resquícios do fogo em volta das grandes lareiras.

A galeria de troféus, com cabeças de animais empalhados, lembra a função do domínio no passado e no presente. Até hoje ele está em um parque onde a caça é permitida.

Um dote rejeitado

Ninguém recusaria viver na pompa de um dos maiores castelos da França, certo? Errado!

Em 1725, o rei da Polônia exilado Stanislas Leszczyinski recebeu o castelo de Chambord como agradecimento pelo casamento de sua filha com Luís XV. Na verdade, ele foi o primeiro morador do castelo e somente nessa época é que o castelo foi mobiliado.

Porém, o polonês não gostou muito do presente. Seis anos depois, ele trocou o Vale do Loire por Nancy, alegando que o castelo era muito frio no inverno e tinha muitos mosquitos no verão.

O castelo fica em uma região pantanosa. Do terraço, é possível avistar o domínio de Chambord, que ainda hoje possui cerca de 200 residentes.

Marechal de Saxe e a era da pompa

O Castelo de Chambord teve vários governadores ao longo de sua história. Mas o que mais tirou proveito foi, sem dúvida, o Marechal Maurice de Saxe.

O militar recebeu o usufruto de Chambord como gratificação por suas conquistas durante o reinado de Luís XV. Sob seu governo, reformas foram feitas para um maior conforto dos hóspedes – como a instalação de forros de madeira.

Apesar de seguir com treinamentos militares todos os dias nos jardins, as festas eram uma constante nessa época.

Um dos quartos de convidados reformados para oferecer maior conforto.

O castelo vazio

No térreo do castelo, o visitante encontra grandes salas sem mobília, com apenas algumas pinturas de seus antigos moradores e poucos adereços. Elas representam o período inicial do castelo, no reinado de Francisco I, quando ele era um castelo vazio.

Na época, a monarquia era itinerante. Ou seja, o rei se mudava de castelo em castelo levando sua própria mobília junto com sua corte.

O duplo andar

Em sua construção inicial, o castelo tinha capacidade para 300 pessoas, ou seja, apenas para os convidados mais íntimos do rei. O restante da corte ficava em outras habitações dentro do domínio de Chambord e os seus vassalos, nas vilas das redondezas.

Porém, para aumentar sua capacidade, houve uma época em que o imenso pé direito das salas foi dividido em dois, construindo-se um andar a mais. Resquícios desta época podem ser vistos nas cozinhas reais.

O quarto da rainha.

Refúgio de Mona Lisa

Desde 1930, o Castelo de Chambord pertence ao estado francês, que o abriu para visitação. Foi somente durante a II Guerra Mundial que o castelo foi fechado e passou a ter um propósito nobre.

Com a invasão dos alemães à capital, o Castelo abrigou milhares de objetos e obras de arte retiradas de museus, incluindo o museu do Louvre. A Gioconda, de Leonardo da Vinci, chegou a ficar no castelo durante 6 meses.

Capela dentro do castelo de Chambord.

Detalhes da arquitetura renascentista

A influência renascentista está por todos os lados na arquitetura do Castelo de Chambord. Aqui vão alguns detalhes para prestar atenção em sua visita:

Escada em dupla-hélice

O grande destaque arquitetônico do castelo está na escada central em dupla hélice. Para Leonardo da Vinci, a espiral era a forma que representava a força universal (anos depois, a ciência encontraria esta forma no DNA).

A escada, na verdade, são duas, ou seja, possui dois começos e finais. Entre ambas, janelas foram cravadas para que se enxergue os caminhantes do outro lado. Assim, as pessoas podem ir do térreo ao terraço do castelo e se verem, mas não se cruzarem.

A escadaria em dupla espiral chama a atenção dos amantes de arquitetura e do renascimento.

Elementos de decoração

Poucos castelos dessa época tinham tantos ornamentos como o de Chambord, característica trazida pelo renascimento. Procure por salamandras, nós de corda e outros símbolos entalhados no castelo. Ao se deparar com uma coroa, flor de lís ou a letra F, você saberá que está entrando nos aposentos do rei.

Planta em formato de cruz de malta

Ao entrar no prédio principal, você verá que a planta está baseada em uma cruz de malta (ou cruz grega). Muitas das igrejas construídas sob os princípios renascentistas seguiram este conceito em sua arquitetura, como a Basílica de São Pedro, no Vaticano. O interessante é que este formato mexe com a nossa bússola interna e deixa o visitante confuso quanto ao começo e fim de cada andar.

O Teatro de Molière fica em um dos quadrantes da cruz de malta no segundo andar (sim, tinha um teatro dentro do castelo).

Simetria

Este é o conceito mais fácil de se reconhecer nas obras renascentistas. A construção do castelo de Chambord não foge à regra e é simétrica em quase todos os aspectos. Porém, o que chama a atenção é que os espaços proporcionam também uma simetria de poder, já que os aposentos reais e de convidados têm o mesmo tamanho. Porém, os aposentos reais passaram por algumas modificações em relação ao projeto inicial, seguindo a rígida etiqueta de Luís XIV.

À época de Luís XIV, este cômodo foi transformado para fazer parte da etiqueta dos rituais de acordar e de dormir do rei. Esta era a sala para os mais íntimos.

Localização das abóbodas

Uma das propostas do Castelo de Chambord era representar o poder da monarquia francesa. Por isso, as abóbodas do castelo estão nos quatro pontos cardinais. A ideia era simbolizar o poder da monarquia que se estendia pelos quatro cantos do mundo.

O castelo de Chambord possui muitos segredos a serem desvendados. Para quem está com tempo e tem muita curiosidade, é fácil passar um dia por lá. Além da construção principal, o visitante pode caminhar pelos jardins, conhecer as estalagens externas e passear pelo domínio de Chambord.

Horários, ingressos e audioguia

O castelo abre todos os dias da semana. Só fecha nos dias 1° de janeiro, 25 de dezembro e 25 de novembro de 2019.

Horários:

  • De 28 de outubro a 29 de março: das 9h às 17h
  • De 30 de março a 27 de outubro: das 9h às 18h
  • Última entrada meia hora antes do fechamento do castelo.

Ingressos:

  • 14,50 € (acesso ao castelo e jardins).
  • Audioguia: 6,50 €
  • Grátis para menores de 18 anos e deficientes + um acompanhante.
  • Estacionamento no local: 6 € por dia.

Vale a pena pegar o audioguia?

O audioguia custa 6,50 € e vem com um fone de ouvido e um histopad – tudo disponível em português. O histopad é um tablet que carrega os áudios automaticamente conforme você anda pelos cômodos, o que é muito legal. Além disso, ele tem a função de realidade aumentada, que permite ao visitante visualizar uma simulação do cômodo em épocas antigas. Se estiver realmente interessado, você também pode clicar para ler mais sobre alguns detalhes do mobiliário.

Sinceramente, eu não vejo tanta utilidade na função de realidade aumentada e também não cliquei para ler todos os detalhes de cada cômodo, senão ficaria 5 horas só dentro do castelo. Para mim, o que valeu mais a pena foram os áudios. Porém, se você fizer um tour em grupo com um guia dentro do castelo, o audioguia é totalmente dispensável.

Como chegar

É muito fácil chegar ao castelo de Chambord de carro ou até mesmo de transporte público. O site tem todas as coordenadas (em inglês), mas assim que possível faço outro post contando como foi nossa jornada até lá!

Se você não quer pensar muito nesse planejamento, uma ideia é pegar um tour saindo de Paris diretamente para o Vale do Loire. Para isso, indico o site Get Your Guide, que propõe vários passeios por toda a região do Vale do Loire saindo da capital.

E se você passou por aqui depois de visitar o castelo, deixe um comentário. Vou adorar saber as suas impressões sobre esta joia do Vale do Loire!