O que fazer em Marselha: principais pontos turísticos

O que fazer em Marselha: principais pontos turísticos

15/03/2019 5 Por Julia Dantas
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Passado algum tempo morando em Marselha, digo com tranquilidade que não escolheria outra cidade para morar na França. Para começar, são 300 dias de sol por ano. Isso significa que as temperaturas no inverno raramente vão abaixo dos 4 graus (o que é um agrado para quem está saindo do verão brasileiro!).

Além disso, Marselha é o epicentro da cultura mediterrânea. Ou seja: aqui você encontra uma profusão de sotaques, sabores e perfumes que vão além da já famosa lavanda provençal.

Isso sem falar na importância histórica: Marselha é a cidade mais antiga da França. Sim, foi aqui que o país começou, por volta de 600 a.C.! Foi nesta época que os gregos da Focéia atracaram seus barcos e negociaram com os gauleses a fundação de uma cidade, então chamada de Massilia.

Onde fica a cidade de Marselha, na França?

Marselha fica no sul da França, à beira do mar mediterrâneo, na região da Provença. Além disso, ela está perto da Riviera Francesa e do sudoeste da França, mais conhecido pela rota dos vinhos. Isso significa que a cidade serve como um excelente ponto de partida para conhecer a região mais ensolarada da França.

Onde fica Marselha? Mapa da França

A metrópole é atendida pelo aeroporto internacional Marseille Provence. A partir dele, é possível pegar uma navette (como são chamados os ônibus intermunicipais) até a enorme estação de Saint-Charles, no centro de Marselha. De Saint-Charles, é só pegar um trem, ônibus ou metrô até diversos pontos turísticos da cidade.

O que fazer em Marselha, a cidade mais antiga da França

Mas o que a cidade tem a oferecer ao visitante? Monumentos históricos, museus contemporâneos, praias paradisíacas, cenários da França antiga e muito mais! Aqui vai a minha lista em ordem de preferência com os principais pontos turísticos de Marselha.

Começar e terminar o dia no Velho Porto (Vieux Port)

Marselha - Porto Velho ou Vieux Port
(Foto: G. Clément/Divulgação)

Se Marselha é o Rio de Janeiro da França, então o Velho Porto (Vieux Port) é a sua Copacabana. É praticamente impossível alguém visitar Marselha e não passar pelo Vieux Port. Foi a partir do cartão-postal da cidade que a cidade se desenvolveu, o que faz com que ele seja o coração de Marselha.

É lá que se realiza o famoso mercado de peixes todas as manhãs, das 8h às 13h. Às quartas, sábados e domingos, mais feirantes vão ao Quai du Port vender flores e artesanato. Tudo isso sob os olhos da Bonne Mère, estátua de 11 metros de Virgem Maria segurando o menino Jesus que fica no topo da Notre Dame de La Garde.

Contemplar o pôr do sol no Vieux Port é um programa imperdível. A apresentação de artistas de rua perto do Ombrière é garantida. Já se estiver a fim de mais sossego, leve uma garrafa de vinho rosé e aprecie o pôr do sol sentado na beira do porto.

Fazer um pedido na Basílica Notre Dame de La Garde

Notre Dame de La Garde - vista em Marselha
(Foto: G. MARTIN-RAGET/Divulgação)

Existem vários motivos pelos quais este passeio é um ponto turístico imperdível de Marselha – além do fato de ser gratuito.

Para começar, lá você terá a melhor vista panorâmica em 360 graus da cidade. Situada em uma colina de 140 metros de altura, do alto é possível admirar o entra-e-sai de barcos no Velho Porto e contemplar o estádio Orange Velodrome.

A Notre Dame de La Garde também é um dos principais pontos históricos de Marselha. Também chamada de “Bonne Mère”, ela começou como uma pequena capela em 1218, porém já serviu como forte e prisão antes de se transformar em basílica em 1879.

Além disso, a tradição diz que a Bonne Mère protege a cidade de Marselha e seus navegantes. Por isso, se você é católico, terá uma excelente oportunidade de fazer um pedido para a Virgem ou simplesmente fazer um agradecimento.

Subir as ruas estreitas do Le Panier

Bairro Le Panier em Marselha
(Foto: V. FORMICA/Divulgação)

Se Marselha é a cidade mais antiga da França, pode-se dizer que o bairro Le Panier é o berço do país. A colina foi escolhida para a fundação de Massilia, em 600 a.C., por ser próxima do mar e ser um ponto de vigilância (prepare-se para grandes escadarias!).

Com o passar dos séculos, restam apenas as ruas estreitas dos antigos tempos gregos: a cidade era murada e havia pouco espaço para as construções. É por esta características que muitos dizem que o Panier é um “pequeno Montmartre”!

Hoje, o bairro se destaca pela street art (procure pela assinatura de Nhobi, artista brasileiro!) e abriga lojas de artesanato, restaurantes e bares. As paredes e flores coloridas de suas ruelas são um prato cheio para amantes de fotografia.

Surpreender-se com a Catedral de La Major (Catedral de Marselha)

Catedral La Major em Marselha
(Foto: G. Clément/Divulgação)

É impossível passar pela Catedral de La Major e não ficar embasbacado com a sua imponência. De estilo bizantino, a Catedral de Marselha foi a única a ser construída na França no século XIX. Ela está entre as maiores catedrais do mundo, com espaço para 3 mil fiéis.

A Catedral de La Major fica na base do Panier e a poucos metros do mar. A mescla do estilo românico e oriental representam o papel estratégico de Marselha no mediterrâneo. A Igreja se destaca pela sua beleza, sendo decorada com mosaicos feitos de mármore e pedras da Itália e da Tunísia.

Se tiver tempo, aproveite para passear pela esplanada e pelos halls que levam até a praça de Joliette e o shopping Terrasses du Port. No fim da tarde, caminhe até a esplanada do MuCEM, também chamada de J4, e curta o pôr do sol à beira-mar.

Abrigar-se no MuCEM

MuCEM em Marselha ao entardecer
(Foto: M. COLIN/Divulgação)

Se você tiver tempo para visitar apenas um museu, escolha o MuCEM (Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo). Ele tem cara de novo: foi inaugurado em 2013, ano em que Marselha foi a capital cultural da Europa. O museu apresenta as bases históricas, culturais e antropológicas da cultura mediterrânea.

Além da permanente Galeria do Mediterrâneo, a entrada também dá acesso a exposições temporárias e ao Forte Saint Jean. Este você não pode perder: o forte teve um papel militar muito importante para a história da França. As duas construções são ligadas por uma fotogênica passarela.

De qualquer forma, a entrada no recinto do MuCEM é gratuita! Mesmo aqueles que não visitarão as exposições podem caminhar por suas passarelas de vidro. Você pode ir ao restaurante a céu aberto ou abrigar-se do sol e do mistral no café do museu.

Visitar a cela do Conde de Monte Cristo no Castelo de If (Château D’If)

Castelo de If em Marselha
(Foto: R. Manin/Divulgação)

Isso mesmo: o Castelo de If tem uma cela fake! Quando Alexandre Dumas publicou o romance O Conde de Monte Cristo, nem ele imaginava que o sucesso seria tão estrondoso. O romance ficou tão popular que o Castelo de If passou de símbolo de opressão a orgulho dos marselheses.

O carisma do protagonista Edmond Dantès foi tanto que funcionários da antiga prisão fizeram um buraco entre duas celas para simular o túnel que ligava as masmorras de Dantès e do Abade Faria. É lá que a maioria dos visitantes posam para fotos.

Mais do que descobrir os bastidores do romance, a visita ao Castelo de If pode te surpreender! Lá você descobre a história desta antiga prisão, que já recebeu a visita de um rinoceronte e por muitos anos abrigou prisioneiros políticos em estado de total insalubridade.

Relaxar nas Ilhas de Frioul (Îles du Frioul)

Ilhas de Frioul - Ilha de Ratonneau, Marselha
(Foto: Julia Dantas/Roteiro França)

Quem vai para o Castelo de If pode adquirir o bilhete do barco que para nas demais Ilhas de Frioul. Se estiver quente, reserve uma tarde para este passeio e vá de roupa de banho. Vai ser impossível resistir a um mergulho nas águas cristalinas típicas dos calanques!

Nos meses mais frios, aproveite para fazer uma trilha pelos calanques. No final acaba sendo um bom negócio! Isto porque você conhece o maciço sem precisar ir até a ponta da cidade ou fazer um passeio de barco. (Mais sobre os Calanques abaixo).

A praia de Saint-Estève fica na Ilha de Ratonneau e conta com ducha e águas calmas. É uma boa pedida para quem vai com crianças pequenas. Na volta, faça a trilha até as ruínas do Forte Ratonneau. A vista para as ilhas é de tirar o fôlego!

Comprar os famosos sabões de Marselha

Sabão de Marselha
Savonnerie Rampal Latour (Foto: R. Cintas-Flores/Divulgação)

Quer comprar uma lembrancinha autêntica e barata em Marselha? Aposte nos sabões de Marselha (savons de Marseille), que podem ser encontrados em lojas especializadas por toda a cidade.

O sabão é um patrimônio da cidade, que foi a primeira na França a produzir sabonetes no século XVII. A região tinha grande abastecimento das matérias-primas – óleo de oliva, soda e sal de Camargue. Por isso, logo se tornou conhecida pela qualidade de seus sabonetes.

A produção do sabão de Marselha viu o fim do seu apogeu no início do século XX. Isso por causa da internacionalização da indústria e o surgimento de novos produtos químicos. Porém, a fama do sabão de Marselha continua, agora atrelada a produtos biodegradáveis, à base de óleo de oliva.

Curtir a natureza no Parque Nacional dos Calanques

Calanque de Sourmiou em Marselha, na França
(Foto: F. FERREIRA/Divulgação)

Marselha no verão é sinônimo de Calanques! É no Parque Nacional dos Calanques que você terá acesso às praias de água fresca e azul profundo tão comuns nas fotos de Marselha.

Você pode chegar às praias dos Calanques de várias formas. A mais fácil (e cara) é fazer um passeio de barco que sai do Velho Porto. Com esta opção você consegue tirar boas fotos e dar um mergulho sem perder muito tempo com deslocamento.

Algumas praias também têm o acesso de carros liberado em algumas épocas do ano. Porém, para imergir na natureza bruta do mediterrâneo, escolha uma das trilhas dos calanques. Ao final, você vai ficar morrendo de vontade de dar um mergulho nas águas frescas!

Lembre-se de checar as condições climáticas antes de se aventurar: informe-se no site do escritório de turismo.

Tirar uma foto no Palácio do Parque Longchamp

Palácio Longchamp em Marselha
(Foto: C. DURANTI/Divulgação)

O parque, em si, não é dos melhores, mas o palácio e a fonte imponentes do Parque Longchamp (Parc Longchamp) valem a visita. O palácio do Parque Longchamp abriga dois museus: o de Belas Artes e o de História Natural.

Ele foi inaugurado em 1869 para marcar o fim de uma das maiores obras de engenharia da França, que levou água do rio Durance 82 km abaixo e acabou com um longo período de seca na região.

Com o risco de uma nova epidemia (a cidade havia perdido quase metade de sua população para a peste no século anterior!), a prefeitura da cidade atendeu aos protestos dos cidadãos e começou o investimento no tratamento de água. Hoje, a água de Marselha é considerada a de melhor qualidade na França!

Conhecer a Canebière – mas fazer compras na Saint Ferréol

La Canebière antes dos Tramways - Marselha
Registro da Canebière antes dos Tramways. (Foto: Tourisme Marseille)

La Canebière foi, por muito tempo, a rua principal de Marselha por começar na “boca” Velho Porto. Atualmente, a avenida se estende por 14 quadras até cair na Igreja de Saint Paul e possui trilhos para duas linhas do tram municipal.

Todo último domingo do mês a Avenida é fechada para a realização dos Dimanches de la Canebière. O evento tem uma feira de alimentos, artesanato, discos e livros usados, além de algumas performances musicais (veja a programação).

O melhor lugar para se fazer compras, porém, é na rua Saint Ferréol, que corta a Canebière a três quadras do Velho Porto. Lá está o verdadeiro calçadão da cidade, onde você encontrará lojas das marcas mais conhecidas e poderá fazer a festa na época de liquidações!

O que comer em Marselha… além da bouilabaisse!

Moules frites
(Foto: JP. Garabedian/Divulgação)

Os guias turísticos de Marselha são unânimes ao indicar a bouilabaisse, espécie de ensopado de peixes típico de Marselha. Porém, trata-se de um prato caro destinado aos turistas. A “verdadeira” bouilabaisse é feita com peixes pescados no dia, o que faz com que qualquer opção a menos de 50 euros seja só imitação…

Mas não desanime! O turista encontra outras excelentes opções de pratos típicos de Marselha e que são mais amigáveis ao bolso. Não deixe de degustar de uma porção de moules frites à beira do porto (mexilhões servidos com batata frita) enquanto toma um Pastis, bebida favorita do marselhês (um destilado à base de anis que se toma com água).

Se preferir uma “comfort food”, aposte nas pizzas: a de Marselha é famosa devido ao grande afluxo de imigrantes italianos! Finalmente, se quiser doces, experimente os calissons de Provence ou o chichi frégi, um “primo” marselhês dos famosos churros…

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Fiz essa lista de principais pontos turísticos de Marselha para ajudar os viajantes que estão montando um roteiro de Marselha. Porém, dá pra passar muito mais tempo aqui e fazer programas mais alternativos. Você ainda pode visitar Vallon des Auffes, as praias do Prado e Catalans, conhecer o centro cultural da Friche La Belle Mai

Lembre-se que estas são sugestões de quem mora em Marselha. 🙂 Espero que após a leitura dessas dicas você fique empolgado para desvendar os segredos de Marselha, a cidade mais mediterrânea da Europa!